Resultados da pesquisa Tankan e o estado da economia japonesa
06/07/2016 08:51 em Economia

A pesquisa Tankan divulgada pelo Banco do Japão na sexta-feira mostra que a confiança do empresariado continua inalterada entre os maiores fabricantes do país. O levantamento trimestral conta com a colaboração de cerca de 11 mil empresas. No Comentário de hoje conversamos com o economista executivo chefe do Instituto de Pesquisas Daiichi Life Hideo Kumano. Ele vai nos falar sobre o estado atual da economia japonesa.

Ele diz: “O índice de confiança entre os principais fabricantes foi o item que mais chamou a atenção no último levantamento do Banco do Japão. O indicador permaneceu em 6 pontos – mesmo nível registrado no levantamento de março. O índice representa a diferença entre a porcentagem de empresas que dizem que o clima está favorável e aquelas que afirmam o contrário. Uma interpretação positiva da situação significa que mais empresas estão otimistas, o que sugere que a economia estaria mostrando sinais de melhora. Isto confirma a ideia de que a economia japonesa está no rumo da recuperação apesar da queda na confiança empresarial desde o ano passado.

Mas isso não significa que podemos subestimar a situação atual. Na verdade, o nível de confiança piorou entre as grandes empresas não-manufatureiras no levantamento de junho. E a grande maioria das empresas entregou suas respostas antes do Reino Unido votar pela saída da União Europeia no dia 23 de junho. Por isso, o resultado da pesquisa não reflete o impacto do chamado Brexit. O resultado do referendo britânico fez o iene aumentar. Acredita-se que uma moeda japonesa fortalecida ameace ainda mais os lucros corporativos das grandes empresas manufatureiras.

O governo dos Estados Unidos vai divulgar na sexta-feira seus dados do setor empregatício no país para junho. Este resultado têm um forte impacto nos mercados de câmbio. Além disso, os números ajudam os observadores que tentam prever quantas vezes os diretores do Federal Reserve vão aumentar a taxa de juros este ano. A decisão do banco central americano deve aumentar o risco de valorização do iene.

Contudo, analisando o quadro-geral, o fato de que o nível de confiança do empresariado é seriamente influenciado pelas taxas de câmbio reflete a fragilidade das fundações da economia japonesa. Nisto estão incluídos a capacidade das empresas japonesas de gerar receita, investimentos de capital, gastos pessoais e outras demandas domésticas. Quando as empresas têm grande capacidade de gerar receita, o impacto das flutuações nas taxas de câmbio é reduzido. Em suma, a economia japonesa ainda tem uma constituição frágil. O governo deveria priorizar políticas de expansão da demanda doméstica e fortalecimento da economia do país.”

(Fonte NHK)

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